A CRISE DO CACAU NO SUL DA BAHIA


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“O Nó, Ato Humano Deliberado” de Dilson Araújo (Brasil, 2012) - Terrorismo Biológico no Sul da Bahia, Revisão e Adaptação - Orlando Cruz.
Documentário investigativo de cunho jornalístico e denúncia. Foi lançado durante o Festival de Cinema Baiano de 2012, evento com divulgação nacional, como filme convidado. Obra exibida em várias cidades da Bahia e outras regiões do país que além de trazer uma denúncia sobre ação que devastou a produção cacaueira do sul da Bahia no final dos anos 80, destaca a história e a importância da produção de cacau para a cultura e economia daquela região.

FICHA TÉCNICA
Título: O Nó: Ato Humano Deliberado
Direção: Dilson Araájo
Gênero: Documentário
Duração: 72 minutos
País: Brasil
Ano: 2012
Classificação: 12 anos (MIC Nossa Terra)
EQUIPE
Pesquisa, Roteiro, Produção e Direção: Dilson Araájo
Roteiro de Edição, Montagem e Finalização: Henrique Filho
Direção de Fotografia: Isaías Neto
Som Direto: Ramon Ângelo
Assistente de Som Direto: Genivaldo Santos
Narração e Computação Gráfica: Alisson Fagundes
Ilustração: Deri Jánior.

A introdução criminosa da doença vassoura-de-bruxa nas plantações de cacau do sul da Bahia e o fracasso da intervenção do governo brasileiro através do Programa de Recuperação da Lavoura ocasionaram um desastre socioeconômico e ecológico sem precedentes, que inviabilizou mais de seiscentos mil hectares da cultura, destruindo as vidas e os sonhos de milhares de famílias de trabalhadores rurais, cacauicultores e comerciantes. O evento extinguiu 250.000 postos de trabalho, provocou o êxodo de aproximadamente 800.000 homens, mulheres e crianças que moravam nas fazendas e ainda quebrou a economia de quase cem municípios.

As consequências da catástrofe continuam repercutindo desde 1989 e afetam um importante zona biogeográfica, onde vivem quase três milhões de pessoas. O filme aborda o fato a partir das evidências e dos argumentos científicos contidos nos relatos dos depoentes e em documentos oficiais. A cada exibição e mesmo com o passar dos anos, o filme atrai a atenção, não só dos cacauicultores, mas também da sociedade civil organizada. É importante continuar a exibi-lo de maneira ampla pois a denúncia apresentada no documentário é, ou deveria ser, de interesse público. O filme tem como base uma vasta documentação, desconhecida da maioria da população e levantada por Dilson Araújo desde 2009, quando ele iniciou a pesquisa. Esses documentos revelam fatos graves que são apresentados no filme. Legendado em inglês, francês e espanhol, a versão em DVD terá dois discos, um com o filme e outro com as cópias digitalizadas dos documentos.

Henrique Franco Timóteo, baiano, técnico em administração e militante do PDT, disse ter se unido a outros quatro amigos do PT para contaminar as plantações de cacau no sul da Bahia. A justificativa dada é a de que queriam acabar com o domínio político dos barotilde;es do cacau, cujo poder econômico influenciava a política local. Só se candidatavam a vereador e prefeito quem eles queriam, reclama Franco Timóteo, autor da ideia. O restante do grupo era: Everaldo Anunciação, Wallington Duarte, Eliezer Correia e Jonas Nascimento, todos do PT e funcionários da Ceplac, ógão do Ministério da Agricultura que cuida do cacau.

Todo o esquema foi montado no final de 1987, num bar conhecido na região onde os amigos se reuniram. Lá, decidiram que Franco Timóteo viajaria de ônibus até o norte do País, onde a vassoura-de-bruxa é uma doença endêmica, e trariam os ramos contaminados para serem implantados nas plantações baianas. Durante quatro anos repetiram a viagem e a sabotagem até que não foi mais preciso. A praga se alastrou rapidamente, com a ajuda do vento.

A primeira fazenda atacada chamava-se Conjunto Santana e pertencia a Francisco Lima Filho, então presidente local da União Democrática Ruralista (UDR) e partidário da candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. O primeiro foco de vassoura-de-bruxa foi encontrado no dia 22 de maio de 1989 e, como medida profilática, os técnicos decidiram incinerar todos os pés de cacau da fazenda. Chico Lima ficou arruinado, conta a revista. Hoje ele arrenda as terras que lhe restaram e vive dos lucros de uma distribuidora de bebidas.

Os ataques aconteceram a várias fazendas ao longo da BR-101 e o destino dos seus proprietários foi o mesmo. A revista Veja consultou Lucília Marcelino, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Brasília, para saber se a história contada por Franco Timóteo seria viável. Sob o ponto de vista técnico, sim, diz ela. O resultado da sabotagem foi queda de mais de 50% da produccedil;ão de cacau e desemprego de mais de 200.000 trabalhadores na região. Até então o Brasil era o segundo maior produtor de cacau do mundo e desde então passou à condiccedil;ão de importador da fruta. Só nos últimos 15 anos o prejuízo ao País chega a US$ 10 bilhões.

Ainda como resultado da sabotagem, em 1992, o primeiro pleito após a devastaccedil;ão das lavouras de cacau, Geraldo Simões elegeu-se prefeito de Itabuna (BA) pelo PT e presenteou os quatro amigos: Everaldo Anunciaccedil;ão foi nomeado secretário da Agricultura por dois anos, substituído pelo colega Jonas Nascimento. Wellington Duarte ficou como chefe de gabinete do prefeito. Eliezer Correia ganhou o cargo de secretário de Administraccedil;ão e Finanças. .

Como não pertencia ao PT, Franco Timóteo não ganhou cargo na prefeitura, mas em 1994, com a volta da suspeita de sabotagem na região, ele ganhou do prefeito a quantia de 250.000 cruzeiros (cerca de R$ 800 MIL) para deixar Itabuna e mudar-se para Rondônia. Hoje, 17 anos depois, o motivo da confissão, diz Franco Timóteo, é o arrependimento. Os demais envolvidos na histÀria negam qualquer envolvimento e dizem sequer conhecer o técnico baiano Franco TimÀteo.

Segundo reportagem da revista da Veja, no dia 22 maio de 1989 técnicos descobriram, durante investigaccedil;ão de rotina, o primeiro foco de vassoura-de-bruxa numa plantaccedil;ão de cacau no sul da Bahia. A praga é mortal aos cacaueiros e espalhou-se de forma espantosa e linear, destruindo as lavouras da região. À época, várias hipóteses foram levantadas sobre a chegada da doença nas plantações, inclusive a de sabotagem feita por países produtores de cacau, uma vez que os técnicos encontraram ramos de cacau infectados com vassoura-de-bruxa amarrados em pés de cacau, mas nada ficou comprovado. Dezessete anos depois, o idealizador e executor da sabotagem conta como fez o serviço. !

As edições da revista Veja publicadas em junho e julho de 2006 trouxeram grande repercussão nacional ao estampar fotos e depoimentos de Luiz Henrique Franco Timóteo

Ocorreu uma confusão comum de datas sobre esse caso histórico. O dia 22 de maio de 1989 foi a data exata em que técnicos agrícolas descobriram, no sul da Bahia, o primeiríssimo foco da praga vassoura-de-bruxa. Naquela época, o nome de Luiz Henrique não era conhecido e ele não apareceu na revista.
[1](https://www.defesanet.com.br/inteligencia/agroterrorismo-petistas-acusados-de-propagar-praga-do-cacau/)
[2](https://www.agrolink.com.br/noticias/revista-desvenda-esquema-montado-em-1987-para-disseminar-praga_42694.html)As fotos e as entrevistas com Luiz Henrique Franco Timóteo só foram publicadas pela revista Veja 17 anos depois, em junho e julho de 2006

O material fotográfico veiculado pela revista na época e os detalhes das reportagens dividiram-se em momentos específicos:


O que mostram as fotos de Luiz Henrique Franco Timóteo na revista: O Retrato do Réu Confesso: As matérias principais trazem fotos de Luiz Henrique Franco Timóteo (então com 54 anos) prestando depoimento ou em ambientes fechados durante as entrevistas concedidas ao jornalista Policarpo Junior. Ele aparece de forma séria, segurando ou apontando para documentos que faziam parte de sua confissão.

[1](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/pronunciamentos/-/p/pronunciamento/363378),
[2](https://www.defesanet.com.br/inteligencia/agroterrorismo-petistas-acusados-de-propagar-praga-do-cacau/),
[3](https://sna.agr.br/mercado-de-cacau-do-crime-bioterrorista-a-busca-pela-autossuficiencia-do-brasil-2/)Indicação dos Locais do Crime.

Algumas imagens mostram o técnico detalhando como funcionava o suposto esquema de “agroterrorismo” ou “bioterrorismo”, explicando o método utilizado para amarrar os fungos trazidos de Rondônia diretamente nos galhos dos cacaueiros na Bahia. [1](https://www.observatoriodaimprensa.com.br/codigo-aberto/raridade-na-midia-jornal-desmente-revista/)
[2](https://www.defesanet.com.br/inteligencia/agroterrorismo-petistas-acusados-de-propagar-praga-do-cacau/)
[3](https://veja.abril.com.br/coluna/noblat/ruidos-bolsonaro-x-moro-pf-nas-queimadas-e-a-morte-da-lavoura-do-cacau/)Imagens de Arquivo e Evidências: Paralelamente às fotos dele em 2006, a revista ilustrou as páginas com imagens históricas do final dos anos 80, incluindo reproduções de um vídeo de 1989 que registrou o exato momento em que técnicos da Ceplac descobriram o primeiro foco da praga na fazenda de Chico Lima, em Camacan.

[1](https://www.defesanet.com.br/inteligencia/agroterrorismo-petistas-acusados-de-propagar-praga-do-cacau/) As Edições Principais (Junho/Julho de 2006):Ediccedil;ão de Junho de 2006 (A Denúncia Inicial): Sob o título marcante de "Terrorismo Biológico", a revista publicou as quatro primeiras entrevistas exclusivas gravadas com Timóteo. Foi o estopim que fez o Senado Federal e a Polícia Federal abrirem investigações imediatas./

[1](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/pronunciamentos/-/p/pronunciamento/363119)
[2](https://www.defesanet.com.br/inteligencia/agroterrorismo-petistas-acusados-de-propagar-praga-do-cacau/)
[3](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/pronunciamentos/-/p/pronunciamento/363378)Ediccedil;ão de Julho de 2006 (O Depoimento a PF): Intitulada por colunistas da revista como "O bioterrorismo dos petistas", esta ediccedil;ão trouxe os desdobramentos e novas fotos de Timóteo após ele passar por um longo depoimento de quatro horas na sede da Polícia Federal, onde sustentou todas as acusações e deu detalhes sobre os supostos mandantes políticos.
[1](https://veja.abril.com.br/coluna/reinaldo/veja-2-8211-o-bioterrorismo-dos-petistas/)
[2](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/pronunciamentos/-/p/pronunciamento/363378)
[3](https://www.agrolink.com.br/noticias/revista-desvenda-esquema-montado-em-1987-para-disseminar-praga_42694.html)
Como a plataforma não exibe diretamente réplicas exatas de páginas digitalizadas de acervos protegidos por direitos autorais, essas edições completas e suas galerias de fotos podem ser consultadas diretamente por meio do mecanismo de busca do Acervo Digital de Veja ou em bibliotecas públicas que guardam as coleções impressas do ano de 2006.Senado Federal

FONTE: JORNAL A TARDE DA BAHIA - Edição de 08/03/2001 - Caderno de Economia - Pgs.05 e 06.
Revista VEJA Ediccedil;ão de Junho de 2006.
CRUZ - Orlando Ribeiro - Pesquisador e historiador da Cultura do Cacau
Os Coronéis do Cacau" (1995), de Gustavo Falcón

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