A CRISE DO CACAU NO SUL DA BAHIA

Documentário investigativo de cunho jornalístico e denúncia. Foi lançado durante o Festival de Cinema Baiano de 2012, evento com divulgação nacional, como filme convidado. Obra exibida em várias cidades da Bahia e outras regiões do país que além de trazer uma denúncia sobre ação que devastou a produção cacaueira do sul da Bahia no final dos anos 80, destaca a história e a importância da produção de cacau para a cultura e economia daquela região.
A introdução criminosa da doença vassoura-de-bruxa nas plantações de cacau do sul da Bahia e o fracasso da intervenção do governo brasileiro através do Programa de Recuperação da Lavoura ocasionaram um desastre socioeconômico e ecológico sem precedentes, que inviabilizou mais de seiscentos mil hectares da cultura, destruindo as vidas e os sonhos de milhares de famílias de trabalhadores rurais, cacauicultores e comerciantes. O evento extinguiu 250.000 postos de trabalho, provocou o êxodo de aproximadamente 800.000 homens, mulheres e crianças que moravam nas fazendas e ainda quebrou a economia de quase cem municípios.
Todo o esquema foi montado no final de 1987, num bar conhecido na região onde os amigos se reuniram. Lá, decidiram que Franco Timóteo viajaria de ônibus até o norte do País, onde a vassoura-de-bruxa é uma doença endêmica, e trariam os ramos contaminados para serem implantados nas plantações baianas. Durante quatro anos repetiram a viagem e a sabotagem até que não foi mais preciso. A praga se alastrou rapidamente, com a ajuda do vento.
Os ataques aconteceram a várias fazendas ao longo da BR-101 e o destino dos seus proprietários foi o mesmo. A revista Veja consultou Lucília Marcelino, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Brasília, para saber se a história contada por Franco Timóteo seria viável. Sob o ponto de vista técnico, sim, diz ela. O resultado da sabotagem foi queda de mais de 50% da produccedil;ão de cacau e desemprego de mais de 200.000 trabalhadores na região. Até então o Brasil era o segundo maior produtor de cacau do mundo e desde então passou à condiccedil;ão de importador da fruta. Só nos últimos 15 anos o prejuízo ao País chega a US$ 10 bilhões.
Ainda como resultado da sabotagem, em 1992, o primeiro pleito após a devastaccedil;ão das lavouras de cacau, Geraldo Simões elegeu-se prefeito de Itabuna (BA) pelo PT e presenteou os quatro amigos: Everaldo Anunciaccedil;ão foi nomeado secretário da Agricultura por dois anos, substituído pelo colega Jonas Nascimento. Wellington Duarte ficou como chefe de gabinete do prefeito. Eliezer Correia ganhou o cargo de secretário de Administraccedil;ão e Finanças. .
Segundo reportagem da revista da Veja, no dia 22 maio de 1989 técnicos descobriram, durante investigaccedil;ão de rotina, o primeiro foco de vassoura-de-bruxa numa plantaccedil;ão de cacau no sul da Bahia. A praga é mortal aos cacaueiros e espalhou-se de forma espantosa e linear, destruindo as lavouras da região. À época, várias hipóteses foram levantadas sobre a chegada da doença nas plantações, inclusive a de sabotagem feita por países produtores de cacau, uma vez que os técnicos encontraram ramos de cacau infectados com vassoura-de-bruxa amarrados em pés de cacau, mas nada ficou comprovado. Dezessete anos depois, o idealizador e executor da sabotagem conta como fez o serviço.
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